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Um lápis não é só um lápis

2015

Um lápis não é só um lápis
 

Marco Moreira desafia as fronteiras do desenho, enquanto técnica e material. Para ver nos Paços da Cultura até 12 de setembro

Explorar as potencialidades da técnica e do material. O maior interesse da diretora do Centro de Arte de S. João da Madeira e curadora Raquel Guerra está espelhado na exposição que inaugurou este sábado na galeria dos Paços da Cultura. “Delineando…”, de Marco Moreira, desafia os limites do desenho e faz do espetador protagonista da peça.

Há três instalações com lápis Viarco dispostos sobre a parede de forma a poderem ser girados pelo espetador. A ação reforça a linha de grafite no branco da parede e surpreendeu o administrador da empresa. “Para mim, chegar aqui e ver isto é uma surpresa muito agradável”, disse José Vieira ao labor.

Marco Moreira fez uma residência artística na Viarco em 2012. Juntamente com Richard Câmara, que surge aqui através do Encontro Internacional de Ilustração, é o responsável pela invenção do ArtGraf N.º 1, uma pasta de grafite que promete revolucionar o ato de desenhar e o mais recente produto da Viarco.

José Vieira não sabia o que Marco Moreira queria fazer aos lápis que lhe pediu. Este sábado, descobriu. “Ele utiliza o lápis como um instrumento, quase escultórico, que, depois de estar na parede, é novamente uma ferramenta que qualquer pessoa pode usar. É um princípio que pode ser aplicado à própria indústria”, resume o empresário.

Além das instalações com os lápis, pode ver-se um tabuleiro que pelo movimento faz circular quatro esferas de grafite, assim como várias resmas de folhas de papel A4 cortadas e sobrepostas em forma de tijolo. São os únicos trabalhos da exposição realizados em 2011. Os restantes datam de 2015.

Marco Moreira, vive em Lisboa mas é natural de Trás-os-Montes. O desenho e a relação entre objeto e tempo na prática artística é o tema de uma investigação que tem estado a desenvolver e que reflete agora em “Delineando…”.

A exposição reflete igualmente a formação artística do Centro de Arte, um dos objetivos de Raquel Guerra enquanto diretora da instituição. Depois de “Funócio”, de Isabel Ribeiro, “Delineando…”, de Marco Moreira, é a segunda exposição dedicada ao desenho nesta nova fase do Centro de Arte, pós-Victor Costa. “O Marco trabalha o desenho no sentido expandido e não tradicional, o que me interessa muito como curadora. Pensar nas potencialidades da técnica e do material”, afirma ao labor Raquel Guerra. A diretora realça igualmente a ligação com a Viarco e a possibilidade do público interagir com as obras como fatores de interesse na exposição, que pode ser vista até 12 de setembro.

Anabela S. Carvalho

 

Carvalho, Anabela S. “Um lápis não é só um lápis”; Jornal Labor. Disponível em: http://www.labor.pt/index.asp?idEdicao=480&id=23884&idSeccao=4855&Action=noticia Acesso em: Julho 2015

 

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