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Raquel Guerra, Responsabilidade Social e Arte

2017

Responsabilidade Social e Arte

 

Na 3ª edição do Arte & Negócios o tema proposto pela WeArt foi “Responsabilidade Social das Empresas”.

Nesta edição, contrariamente ao que se fez nas duas edições anteriores, o desafio não foi lançado aos artistas no sentido de produzirem uma obra especificamente a partir do tema proposto. Nesta edição, o desafio foi colocado à curadora para selecionar artistas e, naturalmente, obras (já produzidas) que se relacionassem com a temática proposta.

Para este projeto expositivo selecionámos trinta obras de dez artistas que colocam no centro da reflexão do seu trabalho questões que abordam, nuns casos de forma mais imediata, noutros menos, esta temática. Pintura, escultura, desenho, fotografia e instalação são as ferramentas operativas da reflexão destes autores.

Ultrapassado este primeiro momento, o da seleção de artistas e obras, passamos então à fase seguinte – a montagem da exposição. Os espaços expositivos – a Porto Business School e a Associação Industrial Portuguesa – não são espaços vocacionados para a apresentação de Arte, no entanto, revelaram-se ideais para as obras selecionadas.

Bárbara Fonte, Carlos Correia, Cristina Regadas, Isabel Ribeiro, Isaque Pinheiro, João Serra, Manuel Santos Maia, Marco Moreira, Rita Castro Neves e Susana Gaudêncio foram os dez artistas escolhidos para esta 3ª edição do Arte & Negócios.

Bárbara Fonte apresenta-nos três trabalhos: uma fotografia e dois desenhos. O trabalho de Bárbara Fonte, fortemente simbólico, remete-nos sempre para a relação da mulher com a sociedade. O corpo feminino numa sociedade dominada pelo masculino.

Carlos Correia apresenta quatro telas – imagens de interiores imaginados. Espaços de trabalho? A referência ao próprio atelier do artista? O seu espaço de trabalho?

Cristina Regadas apresenta-nos uma instalação com várias imagens da cidade do Porto – Sem título (Porto, 70’s), Sem título (Porto, 2000) e Sem título (Porto, 2014). Estas imagens parecem querer colocar-nos no centro de uma manifestação política. O Porto dos anos 70, e das manifestações pós-25 de Abril, é o Porto dos anos 00.

Isabel Ribeiro apresenta duas peças. O desenho é a sua ferramenta operativa. Partindo, por um lado, de objetos do quotidiano e, por outro, de instrumentos do seu trabalho (o lápis, a folha de papel, o bico da caneta ou a esferográfica), Isabel Ribeiro cria um novo contexto, uma nova função para esses objetos/instrumentos. Assim, um elemento do rato do computador dá lugar a um Depósito de gás e os seus instrumentos de trabalho dão lugar a uma Antena.

Incubadora, de Isaque Pinheiro, é uma escultura em mármore e aço que representa uma secretária e dois monitores de computador. A aproximação a uma ideia de trabalho está, naturalmente, subjacente a esta peça.

De João Serra selecionámos duas fotografias da série The North as a Place. Neste projeto, realizado na Rússia, Serra, um pouco em jeito dos Becher, fotografa, sistematicamente, unidades fabris.

Alheava é um projeto que Manuel Santos Maia concebe em 1999 e que tem vindo a apresentar até ao momento atual. Neste projeto, Maia cruza a memória familiar da vida em Moçambique com a sua experiência individual. Alheava_Leve para a passagem I, II e III e Alheava_A distância que principiou a encurtar-se II são as propostas apresentadas por Manuel Santos Maia nesta exposição. Nesta obras, Maia traz-nos a sua impressão (interpretação) dos mercados de rua de Moçambique.

Sem título 1 e Sem título 2, lápis Viarco de diferentes durezas sobre papel Fabriano, são os trabalhos apresentados por Marco Moreira que questiona a prática artística do desenho, uma vez que a torna objeto de reflexão. O suporte (ou pratica artística) passa a ser também mensagem.

Nas palavras de Rita Castro Neves: “As fotografias Marat e Zeca refletem uma certa morte do espírito revolucionário – da revolução francesa de 1789 ao 25 de Abril de 1974. Tirando partido do potencial simbólico das imagens, as imagens ancoram-se em dois grandes ícones, ícones da política como da arte.”

Os desenhos da série Ovo de Colombo e a escultura Colombo a partir o ovo, de Susana Gaudêncio poderão, no contexto desta exposição, ser encarados como uma referência a hipotéticas soluções para questões/problemas do quotidiano.

O trabalho, a fábrica (ou a referência a ela), as relações laborais (ou a referência a elas), a relação com a industria ou processos de fabrico, a referência aos espaços de trabalho são as temáticas que, no contexto desta exposição, abordámos. Falar destas questões tão atuais é falar necessariamente de Responsabilidade Social.

 

Raquel Guerra

Outubro de 2016

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